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17.7.23

CENTENÁRIO DE LARA DE LEMOS - HOMENAGEM


No dia 25 de julho, às 18h30min, o Instituto Estadual do Livro (IEL) e o Theatro São Pedro irão realizar uma homenagem aos cem anos de nascimento da poeta gaúcha Lara de Lemos. O evento ocorrerá na Sala da Música do Theatro São Pedro e contará com um debate sobre a autora, com a participação das professoras e pesquisadoras Cinara Antunes Ferreira e Maria da Glória Bordini, além de leitura de poemas de Lemos, realizada por Antonio Hohlfeldt e Alice Kuhn.


SOBRE A POETA 

Lara de Lemos (1923-2010) publicou mais de uma dezena de obras, tendo atuado também como professora, jornalista e tradutora. Ao longo de sua trajetória, a autora recebeu diversos prêmios e condecorações, como o Prêmio Jorge de Lima, do Instituto Nacional do Livro, por 'Aura amara'; Prêmio Açorianos de Literatura: Poesia, por 'Dividendos do tempo'; Diploma de Mérito Cultural, pela Prefeitura Municipal de Porto Alegre, em reconhecimento pelo seu trabalho em prol da Cultura; Diploma de Personalidade Cultural, pela União Brasileira de Escritores. 

A obra de Lara de Lemos é reconhecida por importantes críticos literários e é composta ainda por títulos como 'Poço das águas vivas' (1957), 'Canto breve' (1962), 'Hai kais' (1989) e 'Passo em falso' (2006), sendo este último publicado pelo Instituto Estadual do Livro, assim como 'Amálgama' (1974) e 'Antologia poética' (2002).

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Homenagem aos 100 anos de nascimento de Lara de Lemos 

Data: 25 de julho de 2023  

Horário: 18h30min

Local: Theatro São Pedro – Sala da Música 

22.4.16

Alquimia do verbo
Lara de Lemos




De repente o termo baldio
de um idioma fatigado
cobre-se de flores vermelhas.

Feitas de matéria inflamável
incendeiam tocadas pela imaginação
do poeta.

Testemunham o nascer da poesia
e perecem.



Do livro Passo em falso (IEL, 2006)

8.3.16

Quero-me inteira
Lara de Lemos

Neste Dia Internacional da Mulher, trazemos aqui a poesia de Lara de Lemos:

Ah! Que terrível mutilação

Esse ter que nos dar assim
todos os dias!

Dar-nos aos pedaços
- um pouco a um,
um pouco a outro,
sem que fique nada
de verdadeiramente nosso
em nós.

Pertencemos
aos que nos afagam por hábito,
aos que nos possuem com os olhos,
aos que nos esperam sensatos,
aos que nos amam doidos
e, afinal, aos que nos querem
como nós não somos.

Quero-me eu,
completa, autêntica, cheia de abandono
pertencendo-me sem nenhuma clemência
para com a alheia expectativa.

Eu, para dar-me ou negar-me
sem explicações, falsos pudores
ou inúteis justificativas.

Não é o melhor nem o mais fácil
o que peço.
Quero-me rir ou chorar
para viver ou morrer. Inteira.


Do livro Lara de Lemos: Antologia poética (IEL/WS/CORAG, 2002)

7.2.14

Areias movediças
-Lara de Lemos

INFORMAÇÕES DO LIVRO

Entre areias movediças

permaneço imóvel.

A paisagem é árida, inclemente,
sempre igual e diferente.

Impossível existência...




Do livro Passo em falso (IEL, 2006)

1.12.13

Pela estrada
-Lara de Lemos-

ADQUIRA ESTE LIVRO

Quantas lágrimas perdemos 
pela estrada?

Em quantos espinhos
abrimos as feridas?

Quanto sangue deixamos
nos caminhos?

Em que portos abandonamos
nossas vidas?

Quantas mortes já foram
morridas?


Do livro Passo em falso (IEL, 2006)

14.2.13

Viver
Lara de Lemos

ADQUIRA ESTE LIVRO



Que me importa viver ou não viver?
Que me importa calmaria ou vento?
Nesta nau sem destino,
o que navego são breves momentos.









Do livro Passo em falso (IEL, 2006)


Veja também: LARA DE LEMOS E O COCHILO DO VERDUGO

13.3.11

-LARA DE LEMOS e O COCHILO DO VERDUGO

 
       Neste texto especial para o blog do Instituto Estadual do Livro, Maria Carpi presta homenagem à poeta, professora e jornalista Lara de Lemos (1923-2010), a quem foi dedicado o 14º fascículo da série Autores Gaúchos (1987). De Lara, o IEL também publicou Amálgama (1974), Lara de Lemos: antologia poética (2002, organizado por Volnyr Santos) e Passo em falso (2006), sua última obra.

Lara de Lemos, poeta editada pelo Instituto Estadual do Livro, na foto com Mario Quintana



  


Essas coisas verdadeiras podem não ser verossímeis.
Graciliano Ramos (Memórias do Cárcere)
    
        Em todos os regimes despóticos, pessoas tombam e outras sobrevivem. Os sobreviventes têm a missão de falar pelos que tombam. A violência, segundo Hannah Arendt, é a desintegração do poder que, inerente à comunidade política, se configura como a capacidade para agir em conjunto. Na tirania não há escolha nem consenso, apenas um funil ideológico por onde são empurrados os indesejáveis. Isso ocorreu em todos os tempos e em todas as ditaduras e fundamentalismos. E os sobreviventes são o cochilo do verdugo.

21.2.11

POEMAS DO ACERVO

ARTE



LARA DE LEMOS




Ilustração: Mário Botner
  
Calma,
sem medo
de perder.

Cultivar
a difícil
arte de morrer.







                    
Poema do livro
Passo em falso
(IEL, 2006, 117p)

Hino da Legalidade, Lara de Lemos e Pereio

        Neste vídeo, que descobrimos em pesquisa no youtube, Lourdes Rodrigues interpreta o hino, acompanhada ao violão pelo professor Massareti. Lara é autora da letra e o ator Paulo Cesar Pereio, da música. 





O Hino (1961) abria as transmissões da Cadeia da Legalidade, formada a partir de emissora que funcionava no Palácio Piratini e convocava o povo a resistir ao golpe militar contra a posse de João Goulart.

Avante brasileiros de pé,
Unidos pela liberdade,
Marchemos todos juntos com a bandeira

Que prega a lealdade

Protesta contra o tirano
Recusa a traição
Que um povo só é bem grande
Se for livre sua Nação.




POEMAS DO ACERVO

HAICAI


LARA DE LEMOS



Ilustração: Mário Botner


 
Borboleta branca
uma pétala que voa
abandonando a rosa.











Poema do livro Passo em falso
(IEL, 2006, 117p)